Lei da Liberdade - Mód. X

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Lei da Liberdade - Mód. X 作者: Mind Map: Lei da Liberdade - Mód. X

1. Definições:

1.1. Instinto: "Espécie de inteligência rudimentar que dirige os seres vivos em suas ações, mau grado sua vontade e no interesse de sua conservação. O instinto toma-se inteligência quando há deliberação. Pelo instinto age-se sem raciocinar, pela inteligência raciocina-se antes de agir. No homem muito frequentemente as idéias instintivas são confundidas com as idéias intuitivas. Estas últimas são as que ele bebeu quer no estado de Espírito, quer nas existências anteriores e das quais conserva uma vaga lembrança. Ref. Kardec, A; Instruções Práticas sobre Manifestações Espíritas, Vocabulário Espírita: Instinto.

1.2. Inteligência: Faculdade de conceber, de compreender e de raciocinar... A linha de demarcação entre os animais e o homem é traçada pelo conhecimento que a este último é dado do Ser Supremo. Ref. Kardec, A; Instruções Práticas sobre Manifestações Espíritas, Vocabulário Espírita: Inteligência.

1.3. Pensamento: é um atributo do Espírito Ref. L.E. q.89 ; R.E. Dez-1868: Sessão anual comemorativa dos mortos; L.M. 1ª parte, cap. 2, item 7.

1.4. Intuição: São conhecimentos adquiridos pelo Espírito em existências anteriores que se refletem nas existências posteriores: por isso são chamadas ideias inatas. Ref. Kardec, A; Instruções Práticas sobre Manifestações Espíritas, Vocabulário Espírita: Instuição.

1.4.1. Comentário: São pensamentos que vêm do próprio Espírito e se manifestam em momentos de maior introspecção e concentração. Acabam por ser pequenos momentos de "emancipação da alma". Esta, ao encarnar, perde temporariamente parte de sua memória e nesses breves momentos recebe de si mesmo conhecimentos vindos de experiências em vidas pregressas.

1.5. Inspiração: "Algumas vezes elas (as ideias) lhes vêm do seu próprio Espírito (intuição), porém, de outras muitas, lhes são sugeridas por Espíritos que os julgam capazes de compreendê-las e dignos de transmiti-las. Quando tais homens não as acham em si mesmos, apelam para a inspiração. Fazem assim, sem o suspeitarem, uma verdadeira evocação. Ref. L.E. q.462"

1.5.1. Comentário: São influências vindas de fora, de outros Espíritos. Quando essas influências são boas chamamos inspiração, quando más obsessão.

1.6. Paixões: Impressões violentas que agem no corpo tirando-o do equilíbrio. "A paixão propriamente dita é a exageração de uma necessidade ou de um sentimento"Ref. L.E. q. 908

1.6.1. Comentário: Qualquer sensação ou sentimento que tira ou diminui a racionalidade e faz o homem perder ou diminuir o controle sob si mesmo que tem como consequência a exageração de uma necessidade ou um sentimento. Note que essas energias podem ser percebidas como agradáveis ou desagradáveis, importando apenas o descontrole e o desequilíbrio gerado sobre si mesmo para serem consideradas uma paixão. Muitas vezes paixões que trazem sensações agradáveis têm apenas uma aparência de "boas" e são os chamados bens inferiores que Santo Agostinho falava, ou seja, trazem na realidade sofrimento e isso se revela no longo prazo.

1.7. Vontade: "...não é atributo especial do Espírito, é o pensamento que atingiu um certo grau de energia; é o pensamento transformado em força motriz. Ref. R.E. Dez-1868: Sessão anual comemorativa dos mortos". "Vontade é o livre-arbítrio. Ref. L.E. q. 804" (Para maiores aprofundamentos verificar definição de livre-arbítrio.)

1.7.1. Comentário: É o que dá a capacidade do ser humano de se autodeterminar e, portanto, que dá ao homem a liberdade de escolha, o que o Espiritismo chama de livre-arbítrio.

1.8. Desejos: manifestação psicológica consciente ou inconsciente de uma aspiração (algo que se quer) proveniente de um instinto. Ref. Dicionário de Psicologia da APA; 2010 p.271. O Espiritismo adiciona a essa definição

1.8.1. Comentário: Veja que os instintos podem culminar em ações automáticas e impensadas (não foram deliberadas pela razão) ou em desejos que trazem sensações, emoções, sentimentos, pensamentos conscientes ou inconscientes que se transformam ou não em paixões.

1.9. Consciência: pensamento íntimo que pertence ao homem. Ref. L.E. q. 835 Senso do que é certo ou errado. Ref. Dicionário de Psicologia da APA. 2010 p. 218.

1.9.1. Comentário 1: São as crenças das pessoas, ou seja, verdades individuais que fazem sentido para elas. Nessa direção, o Espiritismo liga esse conceito especificamente a dois significados: o 1º com direcionamento religioso, portanto, crenças relacionadas a Deus, dogmas, códigos morais e etc. Para maiores esclarecimentos verificar referências do conceito de "Liberdade de consciência" item XXX. Um 2º sentido para esse termo vem decorrente do que foi trazido na q. 621 de L.E. "As leis divinas estão gravadas na consciência do homem"nela podemos entender claramente que se refere ao senso do que seja certo e errado.

1.10. Liberdade:

1.10.1. Liberdade natural: é o direito do homem pertencer a si mesmo. Ref. L.E. q 832. Portanto é a faculdade do homem fazer aquilo que ele quer;

1.10.2. Liberdade de pensar: é a faculdade ilimitada que o homem tem de poder ter ideias, ou seja, de criar dentro das suas mentes abstrações, relações, possibilidades por meio dos pensamentos;

1.10.2.1. Comentário: Como o homem tem um potencial infinito e tendemos a perfeição, o Espiritismo entende não haver limites a capacidade de pensar. Isso não quer dizer que pensamos tudo em sintonia com a realidade. Devido o nosso baixo nível de evolução tendemos a crer em falsas verdades. Isso é justamente o nosso trabalho, cabe a nós, por meio do esforço pessoal, aumentar a nossa capacidade de conhecer por meio do estudo.

1.10.3. Liberdade de consciência: liberdade que o homem tem de escolher suas crenças conforme sua própria visão de mundo. Ref. L.E. q. 835 a 842.

1.10.3.1. "De todas as liberdades, a mais inviolável é a de pensar, que abrange a de consciência. Lançar alguém anátema sobre os que não pensam como ele é reclamar para si essa liberdade e negá-la aos outros, é violar o primeiro mandamento de Jesus: a caridade e o amor do próximo. Perseguir os outros, por motivos de suas crenças, é atentar contra o mais sagrado direito que tem todo homem, o de crer no que lhe convém e de adorar a Deus como o entenda."Ref. ESE, Cap. XXVIII, item 50

1.10.3.2. "O Espiritismo não tem a pretensão de impor a sua crença; só pela persuasão é que ele espera chegar ao seu objetivo, que é o bem da Humanidade. Liberdade de consciência: assim, creio firmemente na existência da alma e na sua imortalidade; creio nas penas e recompensas futuras; creio..."Ref. RE de fev. de 1868, Resumo da Doutrina Espírita

1.11. Livre-arbítrio

1.11.1. Livre-arbítrio: Liberdade moral do homem; faculdade de guiar-se conforme a sua vontade, na realização de seus atos. Ensinam os Espíritos que a alteração das faculdades mentais, por uma causa acidental ou natural constitui o único caso em que o homem se vê privado do livre-arbítrio. Fora disto é sempre senhor de fazer ou não fazer uma coisa. Ele goza dessa liberdade no estado de Espírito e é em virtude dessa faculdade que livremente escolhe a existência e as provas que julga adequadas ao seu adiantamento. Conserva-a no estado corpóreo, a fim de poder lutar contra as mesmas provas. Ref. Kardec, A; Instruções Práticas sobre Manifestações Espíritas, Vocabulário Espírita: Livre-arbítrio.

1.11.1.1. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? “Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio.” Ref.L.E. q. 258

1.11.1.2. "Escolhestes apenas o gênero das provações. As particularidades correm por conta da posição em que vos achais... Esses atos resultam do exercício da sua vontade, ou do seu livre-arbítrio... Os acontecimentos secundários se originam das circunstâncias e da força mesma das coisas. Previstos só são os fatos principais, os que influem no destino." Ref. L.E. q.259

1.11.1.3. Comentário: De forma simples podemos dizer que o livre-arbítrio é a liberdade de escolha e esta ocorre sempre por meio de uma ação ou comportamento.

1.12. Escravidão: é um abuso da força gerando uma degradação física ou moral. Ref. L.E. q. 829. É privar o homem do direito de pertencer a si mesmo. Ref. L.E. q 832

1.12.1. Comentário: A "força" que esse trecho se refere pode ser interpretada como qualquer uma delas: econômica, intelectual, física, etc. O que importa é o uso dela no sentido de degradar em vez de potencializar aquele que esteja em situação menos favorável.

1.13. Fatalidade: do lat. fatalitas, de fatum, destino. Destino inevitável. Doutrina que supõe sejam todos os acontecimentos da vida e, por extensão, todos os nossos atos, predestinados e submetidos a uma lei à qual não nos podemos subtrair. Há duas espécies de fatalidade: uma proveniente de causas exteriores, que nos podem atingir e reagem sobre nós; poderíamos chamá-la reativa, exterior, fatalidade eventual; a outra, que se origina em nós mesmos, determina todas as nossas ações; é a fatalidade pessoal. No sentido absoluto do vocábulo, a fatalidade transforma o homem numa máquina, sem iniciativa nem livre-arbítrio e, consequentemente, sem responsabilidade. É a negação de toda moral. Ref. Kardec, A; Instruções Práticas sobre Manifestações Espíritas, Vocabulário Espírita: fatalismo.

1.14. Lei de Liberdade:

2. Conclusões e questões envolvendo liberdade e livre-arbítrio:

2.1. Liberdade e livre-arbítrio são a mesma coisa? Se não, qual a diferença?

2.1.1. Não, enquanto a liberdade é o direito de fazer aquilo que se quer, o livre-arbítrio é o direito de exercer sua vontade, portanto, de autodeterminar suas ações. Assim, enquanto a liberdade está relacionada à possibilidade e direito de realizar algo, o livre-arbítrio está relacionado ao exercício desse direito e dessa possibilidade no âmbito individual e por iniciativa consciente do indivíduo. (Conclusão do Samuel)

2.1.2. Ex. de liberdade: Direito e a possibilidade que o homem tem de voar (helicóptero, avião, asa delta, etc). Ex. livre-arbítrio: Comprar uma passagem de avião, comprar ou alugar um avião, um helicóptero, uma asa delta e voar.

2.1.3. Nessa direção, podemos concluir que, via de regra, a liberdade é mais ampla que o livre-arbítrio e que ambos são interdependentes no que se refere às limitações e ampliações, ou seja, a liberdade pode levar a ampliação e restrição do livre-arbítrio e vice-versa.

2.2. Mas então a liberdade não é absoluta e natural, ou seja, irrestrita e nasce naturalmente conosco? Não, porque todos precisam uns dos outros. Ref. L.E. q.825 Desde que juntos estejam dois homens, há entre eles direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar; não mais, portanto, qualquer deles goza de liberdade absoluta. Ref. L.E. q. 826

2.2.1. Comentário: É um direito conquistado pelo esforço e precisa ser defendido a todo o tempo e em todos os aspectos que o envolve, sob pena de o perdermos ou tê-lo restringido. Seja pelos limites impostos pelas leis (naturais de Deus e jurídicas dos homens) ou dos limites das capacidades de desenvolvimento alcançadas pelo homem de lidar com essas leis, sempre existirão fronteiras a nossa liberdade proporcionais a nossa evolução. Definindo liberdade como "fazer aquilo que se quer" os dois verbos (fazer e querer) impõem, por si mesmos, restrições lógicas a esse direito como podemos verificar:

2.2.1.1. Fazer: Só podemos fazer aquilo que as leis naturais e a dos homens permitem que façamos, sob pena de sofrermos consequências a nossa própria liberdade;

2.2.1.2. Querer: Só conseguimos querer aquilo que pensamos e só consigo pensar naquilo que de alguma forma conheço. Daí o conhecimento ser necessário para orientar o querer e, portanto, a vontade e em última instância o livre-arbítrio.

2.2.2. No exemplo de voar, para conseguirmos voar um grande esforço teve de ser realizado. Tivemos de aprender as leis da aerodinâmica e construir aparelhos que possibilitassem utilizá-las a nosso favor. Esse conhecimento vem sendo passado para outros ao longo das gerações, sob pena de se perder e não mais conseguirmos fabricar esses aparelhos ou mesmo não mais desenvolvê-los. Isso acarretaria a perda da liberdade que o homem tem hoje de voar.

2.2.3. Fora as imposições das leis naturais que a realidade nos coloca que sejam superadas, existem as restrições das leis humanas que também precisam ser obedecidas. Nesse sentido, temos áreas específicas no céu destinadas aos voos de determinados tipos de aeronaves e toda uma regulamentação e controle que deve ser observado. Veja, portanto, que nossa liberdade para voar está restrita às limitações dos aparelhos que usamos e dentro dos parâmetros autorizados pelo Estado, sob pena de restrições que, no extremo, podem retirar a nossa própria vida. Ex.: Um dos requisitos é que o avião tenha combustível suficiente para chegar ao destino, caso ele acabe antes... Outra coisa é que não podemos entrar armados em um avião, se isso for burlado várias ações restritivas poderão ocorrer. Assim é em relação a tudo em nossas vidas e para todas as pessoas.

2.3. Haverá no homem alguma coisa que escape a todo constrangimento e pela qual goze ele de absoluta liberdade?

2.3.1. Somente no pensamento o homem tem ilimitada liberdade...Pode-se-lhe deter o vôo, porém, não aniquilá-lo. Ref. L.E. q.833

2.3.2. Comentário: Veja que a doutrina se refere também a limitações à liberdade de pensar, mas apenas temporária. Assim, no mundo moral, das ideias, da imaginação, não há leis capazes de constranger a nossa liberdade, ou seja, impedir de fazer aquilo que se quer nos nossos pensamentos. Porém, mesmo aí, ela admite a possibilidade de uma ocorrência temporariamente: "Pode-se-lhe deter o vôo, porém, não aniquilá-lo."Mas como isso seria possível? Fora as práticas de substâncias que podem influenciar na forma que pensamos durante o período de seus efeitos, há maneiras mais sutis e controladas de "tolir" a liberdade de pensar das pessoas por um determinado tempo. Se o querer é uma consequência do pensar e só penso aquilo que conheço, limitando ou manipulando informações e a capacidade de conhecer, podemos limitar a própria mente humana direcionando-a a perceber algo de forma manipulada. No entanto, a verdade, cedo ou tarde, sempre irá se impor, assim diz a Doutrina Espírita: "...mesmo os seus erros servem para realçar a verdade, mostrando o pró e o contra. Demais, entre esses erros se encontram grandes verdades que um estudo comparativo torna apreensíveis."Ref. L.E. q. 145

2.4. É responsável o homem pelo seu pensamento?

2.4.1. “Perante Deus, é. Somente a Deus sendo possível conhecê-lo, ele o condena ou absolve, segundo a sua justiça.”Ref. L.E. q. 834

2.4.2. Comentário: Veja que mesmo em pensamento podemos ser condenados. Mas por quê? Veja que segundo a Doutrina somos julgados não pelos nossos atos, mas pelas nossas intenções. Ref. L.E. q.655, 658 e 670.

2.5. Qual a posição da Doutrina Espírita em relação aqueles que impedem o homem de pertencer a si mesmo por abuso da força?

2.5.1. É considerada uma forma de escravidão e, portanto "contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é um abuso da força. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecerão todos os abusos."Ref. L.E. q.829

2.6. Considerando o conceito de liberdade de consciência e de pensar, é um direito do homem embaraçá-lo?

2.6.1. Não, somente a Deus cabe esse direito; Ref. L.E. q.836 O que ocorreria se isso fosse feito? Fariam-nos hipócritas (os homens), a liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do progresso. Ref. L.E. q. 837

2.7. Mas e as crenças que conduzam o homem ao mal, estas podem ser condenadas?

2.7.1. Sim; Ref. L.E. q.838 Reprimir os atos exteriores de uma crença, quando acarretam qualquer prejuízo a terceiros, não é atentar contra a liberdade de consciência, pois que essa repressão em nada tira da crença a liberdade, que ela conserva integral. Ref. L.E. q. 840 podemos e até devemos procurar trazer ao caminho da verdade os que se transviaram obedecendo a falsos princípios, mas devemos fazer ensinando, a exemplo de Jesus, servindo-nos da brandura e da persuasão e não da força... A convicção não se impõe. Ref. L.E. q. 841.

2.8. Segundo a Doutrina Espírita haveria no próprio indivíduo elementos que poderiam dificultar o exercício da vontade e, portanto, do livre-arbítrio? Sim, instintos, paixões e a influência dos maus Espíritos.

2.8.1. Instinto

2.8.1.1. As predisposições instintivas são as do Espírito antes de encarnar. Conforme seja este mais ou menos adiantado, elas podem arrastá-lo à prática de atos repreensíveis... Não há, porém, arrastamento irresistível, uma vez que se tenha a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder.” Ref. L.E. q. 845

2.8.1.2. "O instinto varia em suas manifestações, conforme às espécies e às suas necessidades. Nos seres que têm a consciência e a percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, isto é, à vontade e à liberdade." Ref. L.E. q. 75

2.8.1.2.1. Comentário: Podemos dizer que as ações instintivas são as reações impulsivas, automáticas, que não exigem dispêndio de energia reflexiva e deliberativa para sua execução. São, portanto, condicionamentos que adquirimos ao longo do tempo, muitas delas, de outras vidas, por meio dos nossos hábitos. As ações"racionais" são lentas, elaboradas, conscientes, despendem grande quantidade de energia e se expressam por meio da nossa vontade, ou seja, quando exercemos o nosso verdadeiro livre-arbítrio ou liberdade de escolha. A nossa razão pode tomar consciência dos instintos e, por meio da vontade, modificar os nossos hábitos ruins (vícios) enfraquecendo-os ou mesmo eliminando-os. Pode também formar novos hábitos e criar novos instintos condizentes com necessidades superiores. Modernamente se sabe como isso se desenvolve, para mais informações e aprofundamentos ver livro: Rápido e Devagar por Daniel Kahneman.

2.8.1.3. O instinto também pode conduzir ao bem. Ele quase sempre nos guia e algumas vezes com mais segurança do que a razão. Ref. Ibidem

2.8.1.3.1. Comentário: Veja que as reações impulsivas do nosso corpo podem ser boas a medida em que vamos conscientemente permitindo que somente os bons instintos se manifestem e nos guie na direção correta e de forma segura nossas ações.

2.8.2. Paixões

2.8.2.1. "Uma paixão se torna perigosa a partir do momento em que deixais de poder governá-la e que dá em resultado um prejuízo qualquer para vós mesmos, ou para outrem...A paixão propriamente dita é a exageração de uma necessidade ou de um sentimento. Está no excesso e não na causa e esse excesso se torna um mal, quando tem como consequência um mal qualquer."Ref. L.E. q. 908

2.8.2.2. Como sei se uma paixão é boa ou má? "Toda paixão que aproxima o homem da natureza animal, afasta-o da natureza espiritual. Todo sentimento que eleva o homem acima da natureza animal denota predominância do Espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição."Ref. Ibidem

2.8.2.3. Por que somos tomados por paixões? "Encarnando no corpo do homem, o Espírito lhe traz o princípio intelectual e moral, que o torna superior aos animais. As duas naturezas existentes no homem dão às suas paixões duas origens diferentes: umas provêm dos instintos da natureza animal, provindo as outras das impurezas do Espírito encarnado, que simpatiza mais ou menos com a grosseria dos apetites animais. Purificando-se, o Espírito se liberta pouco a pouco da influência da matéria. Sob essa influência, aproxima-se do bruto. Isento dela, eleva-se à sua verdadeira destinação." Ref. L.E. q. 605 nota explicativa.

2.8.3. Influência dos Espíritos

2.8.3.1. Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos? “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.” Ref. L.E. q. 459

2.8.3.2. Exercem essa influência por outra forma que não apenas pelos pensamentos que sugerem, isto é, têm ação direta sobre o cumprimento das coisas provocando, por exemplo, o encontro de duas pessoas, que suporão encontrar-se por acaso; inspirando a alguém a idéia de passar por determinado lugar; chamando-lhe a atenção para certo ponto, se disso resulta o que tenham em vista, eles obram de tal maneira que o homem, crente de que obedece a um impulso próprio, conserva sempre o seu livre-arbítrio. Ref. L.E. q. 525

2.8.3.3. Por que permite Deus que Espíritos nos excitem ao mal? “Os Espíritos imperfeitos são instrumentos próprios a pôr em prova a fé e a constância dos homens na prática do bem... Desde que sobre ti atuam influências más, é que as atrais, desejando o mal; porquanto os Espíritos inferiores correm a te auxiliar no mal, logo que desejes praticá-lo."Ref. L.E. q.466

2.8.3.3.1. Pode o homem eximir-se da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal? “Pode, visto que tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem.” Ref. L.E. q.467

2.8.3.4. E quanto a influência dos bons Espíritos? A ação dos Espíritos que vos querem bem é sempre regulada de maneira que não vos tolha o livre-arbítrio, porquanto, se não tivésseis responsabilidade, não avançaríeis na senda que vos há de conduzir a Deus. Ref. L.E. q.501

2.8.3.5. Pode Espíritos em processos obsessivos diminuírem ou mesmo retirarem o livre-arbítrio de um encarnado?

2.8.3.5.1. Primeiro é preciso entender que "A obsessão é a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo....quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque aí não raro o paciente perde a vontade e o livre-arbítrio." Ref. ESE, cap.XXVIII, item 81.

2.8.3.5.2. "A subjugação obsessional, designada outrora sob o nome de possessão, é um constrangimento físico exercido sempre por Espíritos da pior espécie e que pode ir à neutralização do livre-arbítrio do paciente. Ela se limita, muitas vezes, a simples impressões desagradáveis; porém, muitas vezes provoca movimentos desordenados, atos insensatos, gritos, palavras injuriosas ou incoerentes, de que o subjugado, às vezes, compreende o ridículo, mas não pode abster-se." Ref. O que é o Espiritismo? cap. II, item 73.

2.9. Então podemos dizer que o livre-arbítrio se desenvolve?

2.9.1. "O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire a consciência de si mesmo."Ref. L.E. q 122 Pergunta: Por quê?

2.10. Qual a faculdade que predomina no homem em estado de selvageria: o instinto ou o livre-arbítrio?

2.10.1. O instinto, o que não o impede de agir com inteira liberdade, no tocante a certas coisas. Ref. L.E. q. 849

2.10.2. Comentário: Veja que quanto mais atrasado estivermos, mais sucetíveis aos impulsos instintivos e inconscientes.

2.11. O que nos dá o livre-arbítrio?

2.11.1. "...a razão permite a escolha e dá ao homem o livre-arbítrio. Ref. L.E. q.75 "a". Vontade é o livre-arbítrio. Ref. L.E. q. 804

2.11.1.1. Comentário: A razão nos dá um tipo especial de pensamento, o reflexivo, quando construímos por nossos próprios esforços, conclusões e deliberações, ou seja, decisões conscientes obtidas mediante esforço mental. A vontade se dá justamente como expressão desses pensamentos em um nível energético tal que motiva ações e comportamentos. Quanto maior a vontade, maior o poder do homem de se autodeterminar. Maior portanto, o seu livre-arbítrio.

2.12. Por que determinados homens parecem mais senhores de si do que outros que estão entregues como escravos aos seus vícios?

2.12.1. "Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive há mais ou menos tempo, e, conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A diferença entre eles está na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que obram, vontade que é o livre-arbítrio. Daí se aperfeiçoarem uns mais rapidamente que outros, o que lhes dá aptidões diversas."Ref. L.E. q. 804

2.12.1.1. Comentário 1: Entendendo o que são os instintos, as paixões e o que é a própria vontade conseguimos entender melhor as dificuldades de autodeterminar o rumo das nossas próprias vidas. Daí vem a compreensão de que apenas conhecer o que é o bem, ou seja, aquilo que realmente faz bem para o ser humano, é necessário, mas não suficiente para vivermos uma vida virtuosa. Mesmo que a razão e a vontade sejam interligadas em nossa mente, elas são autônomas no nosso Espírito e, portanto, se não tivermos o firme propósito de educar a nossa vontade direcionando-a para o que sabemos ser bom, o sofrimento ocorrerá como pura manifestação da Lei de Causa e Efeito.

2.12.1.2. Comentário 2: Assim, atenção e vontade são, em última instância, sinônimas da mesma manifestação do nosso Espírito. Expressamos a nossa vontade àquilo que damos atenção e damos atenção àquilo que valorizamos e cremos serem coisas boas para nós. Nesse sentido, a necessidade de ter atenção a nós mesmos a fim de sabermos quem somos, quais são os nossos pensamentos e ações, como eles criam hábitos e como esses hábitos podem se tornar virtudes, se bons e vícios, se ruins é fundamental. Podemos ser senhores dos nossos destinos ou escravos dos nossos vícios. Aquele que não guia sua própria vida está fadado a repetir seus erros. O momento da transformação ocorrerá quando a vontade individual por mudança for maior que a percepção subjetiva de sofrimento.

2.13. Então a vontade é chave para a evolução?

2.13.1. Sim, poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade... Ref. L.E. q.909. O progresso intelectual engendra o progresso moral fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos. Ref. L.E. q. 780 "a".

2.14. E quanto aos costumes sociais e de forma mais abrangente a cultura, elas não obrigam muitas vezes o homem a enveredar por um caminho de preferência, a outro e não se acha ele submetido à direção da opinião geral, quanto as suas escolhas?

2.14.1. São os homens e não Deus quem faz os costumes sociais. Se eles a estes se submetem, é porque lhes convêm. Tal submissão, portanto, representa um ato de livre-arbítrio, pois que, se o quisessem, poderiam libertar-se de semelhante jugo. Ref. L.E. q. 863

2.15. Os animais têm livre-arbítrio?

2.15.1. "Os animais não são simples máquinas...a liberdade de ação, de que desfrutam, é li- mitada pelas suas necessidades e não se pode comparar à do homem...A liberdade, possuem-na restrita aos atos da vida material.” Ref. L.E. q. 595 Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus. Ref. L.E. q. 597'

2.15.2. "... mas não é um Espírito errante (a alma dos animais). O Espírito errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. De idêntica faculdade não dispõe o dos animais (o Espírito). A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espírito. Ref. L.E. 600... falta-lhe livre-arbítrio. Ref. L.E. q. 599 "

2.16. Como usar o nosso livre-arbítrio a fim de não sofrer as vicissitudes da matéria e observar a Lei da Liberdade?

2.16.1. "(o Espírito) ...tem o livre-arbítrio, tem, por conseguinte, a faculdade de escolha entre o fazer e o não fazer. Dome suas paixões animais; não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos; pratique o bem; não ligue às coisas deste mundo importância que não merecem; e, então, embora revestido do invólucro corporal, já estará depurado, já estará liberto do jugo da matéria e, quando deixar esse invólucro, não mais lhe sofrerá a influência (da matéria). Ref. L.E q. 257

2.16.2. "...nenhuma impressão desagradável eles (os sofrimentos) lhe deixarão, porque apenas terão atingido o corpo e não a alma." Ref. Ibidem

2.16.3. Comentário: percebe-se que o bom uso do nosso livre-arbítrio na Terra está totalmente relacionado com o bom uso do tempo. O bom uso do tempo sempre estará atrelado a transformação do ser. Quando vemos esses direcionamentos acima damos conta do quanto estamos identificados com a matéria! Quando nos perguntam: o que você é? Respondemos apenas nossas profissões...

3. Introdução:

3.1. Ao estudarmos a Lei da Liberdade é importante antes de tudo entendermos que a Doutrina Espírita é uma ramificação do Cristianismo, pois temos fé em Jesus e seus ensinamentos e ele é o nosso guia e modelo para nos levar a Deus (ref. L.E. q. 625). Nesse sentido, o Espiritismo não se ergueu "do nada" muito pelo contrário, veio para lançar novos posicionamentos e entendimentos sobre informações e crenças já trazidas por outras vertentes do ensinamento cristão. Por conta disso pode-se dizer que a Doutrina Espírita tem sua base filosófica nos conceitos elaborados por inúmeros pensadores católicos e filósofos anteriores ao próprio Cristo (vide ESE, introdução, Sócrates e Platão precursores da ideia cristã e do espiritismo e diversas mensagens em todo o Pentateuco Espírita ditadas por Espíritos que eram líderes católicos quando encarnados). Assim, o cristianismo quebrou paradigmas do pensamento vigente no mudo da época e propôs novas visões sobre vários aspectos. Aos poucos, por conta da persuasão dos seus pensamentos foi substituindo lentamente as crenças anteriores, estabelecendo nova visão aos povos do ocidente. Uma dessas crenças foi uma contraposição ao chamado fatalismo, crença na qual tudo na Terra foi escrito previamente pelos Deuses e, em verdade, apenas materializamos o que já fora definido em relação aos nossos destinos. O homem por essa crença não era senhor do seu destino, apenas cumpria as escolhas dos Deuses que eles criam. O conceito de livre-arbítrio começou a ser estabelecido no ocidente por Sócrates e Platão que retiraram os Deuses do centro dos acontecimentos e colocaram os homens, passou por Plotino que falou sobre liberdade, e foi bem esmiuçado e consolidada por Santo Agostinho de Hipona, séc. IV d.C., quando escreveu um livro inteiro sobre assunto entitulado: "Livre-arbítrio". Tal obra estabeleceu as bases do pensamento Cristão sobre o assunto e foi posteriormente aperfeiçoado pelos filósofos Escolásticos, especialmente Tomás de Aquino no séc. XIII. Vejamos as principais ideias lançadas por esses pensadores e a correlação existente com o Espiritismo.

3.2. Agostinho foi o primeiro pensador cristão a considerar que a fé se fortalece pela razão, e que esta, em contrapartida, também se fortalece e ganha impulso pela fé. No Espiritismo chamamos a isso de fé raciocinada e não imposta. No que se refere ao homem, este passa a ser visto como dotado de vontade e movido pelos seus próprios esforços pode conquistar uma liberdade cada vez maior.

3.3. Pertinente a temática da vontade esta tem relação direta com o conceito de bem e mal. Para Agostinho o mal em si não existe, o que existe são graus inferiores de bem, Deus é o Sumo Bem. O mal nasce portanto, de uma vontade de obter bens inferiores (que tem apenas aparência de boas) devido a ignorância, baseada no amor a si próprio de forma desproporcional e errada, o que dá origem ao egoísmo e este seria o pecado original. O amor a Deus para ele é exercido pela caridade e dá origem ao início do bem. O amor a Deus sobre todas as coisas leva o homem ao Sumo Bem e, portanto, à felicidade suprema. Cabe entender que esse pensamento foi uma evolução considerável em relação aos socráticos que entendiam ser o saber a virtude suprema e não o amor, como foi proposto por Agostinho.

3.3.1. Com essa mudança proposta pelo santo católico passamos a entender o porquê de pessoas saberem como deveriam agir, mas agirem de fato como se não soubessem. Ex.: O médico que fuma, o advogado que rouba e o padre que violenta crianças.

3.3.2. Para Agostinho a faculdade da vontade está ligada à razão, mas é autônoma em relação a ela. Nessa direção, o "saber" vindo da razão é necessário, mas não suficiente para um agir correto. Isso só seria alcançado a partir da educação da vontade, decorrente da fé em Deus e sua perfeição. Se Deus é perfeito Ele gerou seres perfeitos e, portanto, nós somos perfeitos, mas precisamos de tempo para descobrir quem verdadeiramente somos, ou seja, tomar consciência da nossa verdadeira natureza. Segundo Agostinho o homem não consegue fazer isso por ele mesmo, mas mediante a entrega pela fé em Deus, pois assim, Deus o auxiliaria com a inspiração divina dada pela Graça.

3.3.3. Veja que também o Espiritismo entende a necessidade de evoluirmos moralmente e intelectualmente e que as duas virtudes principais para alcançá-las são a caridade, como expressão do amor ao próximo, e a humildade, postura mandatória de quem quer desenvolver a inteligência (ref. ESE. cap. XV, item 3). A doutrina entende também que o livre-arbítrio é sinônimo de vontade (Ref. L.E. q. 804) e se amplia a medida que entendemos quem somos verdadeiramente (Ref. L.E. q. 122). Finalmente a doutrina dos Espíritos conclama a todos que adorem a Deus para que nos dê paciência, coragem, resignação e sabedoria para suportar e vencer as nossas provas (ref. E.S.E. cap. 27, item 7) o que nada mais é que a tão chamada Graça Divina. Com esse breve resumo e paralelo com a filosofia cristã de forma mais ampla passaremos a entender mais sobre alguns conceitos fundamentais do Espiritismo atinentes ao tema Lei da Liberdade.